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Câncer : Medo e Otimismo

           O medo sempre foi companheiro do homem, pois era um sentimento primitivo que  o colocava em estado de alerta, geralmente por se sentir ameaçado. Caracterizava-se por uma reação obtida a partir do contato com algum estímulo físico ou mental que gerava uma resposta de alerta no organismo. Hoje, saímos do primitivismo, mas o mecanismo do medo continua o mesmo. Inicia-se com a ansiedade frente ao desconhecido e o temor antecipado  do encontro com uma situação ou objeto estressante. Essa reação inicial dispara uma resposta fisiológica no organismo que libera adrenalina e  cortisol, preparando o indivíduo para lutar ou fugir. Quando se ouve um diagnóstico de câncer, o instinto primitivo do homem o leva a querer  fugir do perigo , muitas vezes, negando-o. Entretanto, para se vencer um predador ( ou inimigo) a melhor estratégia é conhecê-lo, enfrentá-lo  e lutar para derrotá-lo.

          A palavra câncer tem sua origem no latim cancer, significando caranguejo. Tem esse nome, pois as células doentes atacam as células sadias como se fossem os tentáculos de um caranguejo. Hipócrates (o Pai da Medicina – 460 a.C.-377 a.C.) usou a palavra carcinos. O  médico Celsus (romano, 25 a.C.-50d.C.) utilizou a palavra câncer e Galeno (Pérgamo, c. 129 - provavelmente Sicília, c. 199 ou 217), também romano, usou oncos, mas muito antes já se conhecia a doença.  Em descobertas arqueológicas de 4.ooo a.C., foi identificado um maxilar com sinais de linfoma. Imhotep, médico egípcio, no ano 2.500 a.C., descreveu um suposto tumor de mama.  Em 1.600 a.C., os médicos egípcios já distinguiam um tumor benigno de um maligno, mas, apenas  no século XIX, foram efetuados os primeiros estudos patológicos da doença. Hoje, sabe-se que  apresenta relação direta com a longevidade e quanto mais tempo de vida, maior o risco de aparecer um câncer. Portanto, não é uma doença nova e, atualmente, estão identificados mais de cem tipos. Se detectado  em estágio inicial, o câncer  apresenta grande probabilidade de cura.

          Um diagnóstico de câncer pode ser enfrentado com primitivismo, em um primeiro momento, com a mente preparando-se para fugir, mas, logo após, imperam a racionalidade e o instinto de sobrevivência. Surgem forças interiores e a certeza de não se render à doença sem lutar. Tendo o doente  o apoio da família e dos amigos e a confiança em seu  médico, o câncer  não consegue derrotar seu  espírito otimista. O paciente avalia os procedimentos sugeridos para o seu  tratamento e os enfrenta com a crença de que um caranguejo pode ter muitas patas, mas  é possível imobilizá-las, tornando-o inofensivo.

Autora: Maria Auxiliadora de Andrade Vieira

Professora de Língua Portuguesa formada pela Universidade de Lavras - MG

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