LINKS INTERESSANTES

Os direitos do paciente

        A revista Veja - 25 de janeiro de 2012 - trouxe nas páginas amarelas uma entrevista com o médico Raul Cutait que operou o ex-vice-presidente José Alencar e o ator Reynaldo Gianecchini, entre outros famosos. Ao responder a primeira pergunta da repórter Adriana Dias Lopes, ele afirmou que “ a vontade do paciente deve ser levada em conta em toda e qualquer circunstância. Essa é uma tendência que começou a se estabelecer nos Estados Unidos há mais de trinta anos. O objetivo inicial era resguardar o médico de processos judiciais posteriores. Mas essa abordagem evoluiu e tornou-se um bem para o paciente e para a própria medicina. Ser honesto sempre foi obrigação de todo profissional sério. Mas respeitar a vontade do paciente é algo relativamente novo na história das ciências médicas. Na minha opinião, a vontade do doente tem de prevalecer, seja qual for a situação. Quem decide é ele”.
A afirmação do doutor Raul confirma o respeito ao paciente, atitude adotada atualmente por muitos médicos e incentivada pelos Conselhos Regionais de Medicina do país. É certo que o doente tem direito a atendimento humano, atencioso e respeitoso, por parte de toda a equipe que o assiste. Ele pode e deve solicitar explicações claras sobre o tratamento a que vai ser submetido e sobre a finalidade dos exames solicitados, sempre contando com informações objetivas do médico, que não deixem dúvidas sobre os procedimentos e seus benefícios e riscos. O paciente deve consentir ou recusar quaisquer ações terapêuticas a serem nele realizadas. Essa nova postura na relação médico-paciente evidencia que, mesmo doente, o ser humano é senhor de seu corpo e de sua vida, podendo decidir sobre aquilo que julga melhor para si mesmo, e é capaz de selecionar entre diversas opções oferecidas a que melhor se adapta a seu perfil.
Cautela, entretanto, é necessário. Antes de mais nada, a confiança nos médicos deve comandar todo o processo de diagnóstico, exames e tratamento. Ciente de seus direitos, o paciente colabora com os profissionais que o tratam e aceita a execução de ações necessárias para salvar a própria vida. O medo de enfrentar algum exame, ingerir certos remédios e submeter-se a alguns tratamentos não pode ser um obstáculo a impedir sua cura. No momento de fragilidade física e emocional, a presença de um familiar torna-se providencial para discutir os riscos e benefícios do que é proposto pela equipe de profissionais. Todas as questões polêmicas devem ser tratadas com liberdade pelo paciente e familiares e esclarecidas pacientemente pelo médico. A segurança sobre a melhor escolha ajuda na cura. Nesse momento, o doente não pode ter vergonha ou ter medo de não ser compreendido, pois o que está em jogo é sua própria vida e necessita de tranquilidade emocional para enfrentar os desafios para curar-se. Humildade para ouvir e aceitar aquilo que se apresenta como a melhor alternativa para a cura também se faz necessária.
          Além de direitos, o paciente nunca poderá se esquecer de que também tem responsabilidades e deveres em relação a seu próprio tratamento. Se não seguir as orientações médicas, descuidar-se da ingestão dos medicamentos ou recusar-se a enfrentar procedimentos , muitas vezes, incômodos e dolorosos, arcará com as consequências de seu comportamento e, até mesmo em alguns casos, de sua irresponsabilidade. A compreensão de que o médico, por mais bem formado e treinado em sua especialidade, é humano, portanto limitado, levará o doente a não esperar milagres ou soluções ilusórias para seu caso e impedirá acusações infundadas ou desastrosas que comprometerão a imagem do profissional.
      O mais importante , durante o tratamento, é a boa relação entre médico e paciente, pois ela proporciona a união de forças contra o inimigo comum: a doença. Assim, este lutará para curar-se e aquele buscará todas as condições necessárias e possíveis para atingir o objetivo comum, caminhando juntos na mesma direção, apoiando-se mutuamente.

Autora: Maria Auxiliadora de Andrade Vieira

Professora de Língua Portuguesa formada pela Universidade de Lavras - MG

 Apoio