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Empatia: uma forma de amor

          Empatia  é a capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo que ela apreende. O termo foi usado pela primeira vez no início do século XX, pelo filósofo alemão Theodor Lipps (1851-1914), "para indicar a relação entre o artista e o espectador que projeta a si mesmo na obra de arte". Na psicologia e nas neurociências contemporâneas, é uma "espécie de inteligência emocional" e pode ser dividida em dois tipos: a cognitiva - relacionada à capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas; e a afetiva - relacionada à habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia (Wikipédia). A empatia compreende três aptidões sociais: ver-se do ponto de vista de outrem, ver o outro do ponto de vista dos outros e ver os outros do ponto de vista deles mesmos (Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa).

          O homem é um ser complexo que tem uma visão muito pessoal sobre si mesmo e sobre os outros. Sua avaliação representa a soma de seus conhecimentos, experiências, sentimentos e emoções, sendo, portanto, muito difícil uma análise impessoal de um fato ou de alguém.  Enxergar-se pelo olhar alheio é amedrontador. O real muitas vezes se confunde com o imaginário, com o que se supõe ser. O que se é se confunde com o desejo de ser. ( Faça uma pausa na leitura deste texto e realize o pequeno teste para autoconhecimento, sem mentir ou tripudiar sobre o resultado. Escreva em uma folha, sem pensar muito ou analisar , os nomes de três animais. Depois, ao lado de cada nome, escreva a característica que mais   identifica o animal. Leia o resultado do teste neste mesmo site com o nome de “ Resultado do teste de conhecimento pessoal”. A avaliação proposta  é interessante porque vai lhe dar uma visão de quem você é, característica fundamental para entender e vivenciar a empatia para com os outros.)

          Se cada ser humano é a soma de parcelas individuais e intransferíveis, a visão do outro que está a seu lado fica limitada. Não conhecemos a nós mesmos e temos dificuldade em nos entender. Como aceitar o outro com suas diferenças e particularidades? Vivemos em uma sociedade supostamente democrática porque na realidade seguimos padrões e os assumimos como verdades absolutas. Há modelos e regras considerados superiores, desejáveis e reforçados pela mídia como ideais. Somos massacrados por eles todo o tempo e os assumimos como nossos. Julgamos os outros por esses esquemas impostos, sem avaliar suas emoções, carências e necessidades. Nossas avaliações são parciais e marcadas pelo socialmente aceito.

          Hoje com a aceleração da vida, os contatos pessoais estão deteriorados e isso dificulta a proximidade entre as pessoas. Sem o contato interpessoal , torna-se impossível conhecer profundamente quem está ao nosso lado. Mesmo em família o cotidiano opressivo de trabalho e compromissos deixa o contato distante, quase como uma obrigação ou um dever a ser cumprido, nascendo daí a indiferença que corrói as relações. A avaliação que fazemos do outro, dessa maneira, só pode ser superficial e sem emoção. Muitas vezes nos surpreendemos, quando temos um espaço de tempo disponível, como no período de uma doença, para (re)conhecer nossos familiares e amigos em sua intimidade. Percebemos que pensávamos com nossos sentimentos, não com a análise dos fatos e com a preocupação verdadeira sobre  o próximo.

          A empatia é o amor verdadeiro nas relações humanas, pois nos torna mais tolerantes e mais próximos de nosso eu e do conhecimento dos  outros. Com ela praticamos o exercício de amar, colocando em prática a aceitação, o respeito, a compreensão e o perdão. A consciência de nossa fragilidade emocional nos aproxima  da misericórdia tão essencial para nossa paz interior. A empatia nos torna mais humanos, mais compreensivos e menos avaliadores do próximo. Comprovando o que afirma Ana Maria Braga: “Eu não quero ter razão; eu quero é ser feliz!”, aceitar o outro como ele é e perdoar seus deslizes, quantas vezes forem necessárias, é a maior prova de amor possível que uma pessoa pode dar a outrem.

Autora: Maria Auxiliadora de Andrade Vieira

Professora de Língua Portuguesa formada pela Universidade de Lavras - MG  

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