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Amaciante de Almas

Réquiem para uma amiga

Com amor e carinho

Réquiem:  do latim repouso, descanso – Parte do ofício dos mortos, na liturgia católica, que principia com as palavras latinas requiem aeternam  dona eis ( dai-lhe o repouso eterno).

Amiga,

       Poucos dias faz que você se despediu de nós. Deixou um vazio em nossas vidas, um buraco em nosso peito, um sentimento absurdo frente a sua morte. Não tenho chorado sua falta, porque sei que ficaria muito brava e me diria que é preciso deixar o espírito seguir seu caminho, sem ficar apegado ao sofrimento  dos vivos, em desespero. Sua trajetória de vida me dá a certeza de que está em um caminho de luz, feliz ao lado de seus antepassados. (Com certeza, já encontrou seu pai e sua avó.), inconformada com nossa dor. Você mesma me disse que, se fosse a vontade de Deus, morreria sem se abalar, porque esta seria a proposição dele para sua vida.

       Por que então eu sofro? Sinto sua falta. Para quem eu vou ligar quando chego do trabalho? Seu número estava tão impregnado em meu telefone que, às vezes, ligava para ele  sem querer e ria com você, pois muitas vezes aquele contato vinha em uma hora certa, de necessidade de troca de  um ombro amigo. Acontecia o mesmo com você. Acredito ser uma ligação de almas, pois você sempre me dizia que não éramos irmãs de corpo, mas irmãs de alma. Sinto também impotência e incredulidade por não querer tratar-se, pois penso se não estaria hoje entre nós, caso optasse por um tratamento convencional. Impossível entender sua recusa em buscar as alternativas para viver.

      Ontem, em um momento de grande saudade, fui conferir nos e-mails se havia algum seu, pois queria guardar um pelo menos para ter a lembrança dos “trocentos” que me enviava a cada dia (e cobrava se eu havia lido). O único que encontrei estava na pasta de mensagem da internet, pois após um problema  no computador perdi todas as suas  mensagens. Sabe o que era? “Amaciante de roupas”, um artigo sobre as muitas utilidades para esse produto de limpeza. Sorri sozinha, pensando como foi providencial encontrar logo este recadinho para mim. Você foi uma amaciante de almas. Durante todos os anos de dedicação à Igreja Messiânica, nunca vi você negar uma palavra, um carinho, o atendimento a quem a procurava a qualquer hora e dia, pois acreditava firmemente no amor altruísta. Muitas vezes, eu lhe disse que estava exagerando ao abandonar sua vida, sua casa, marido e filho. Você não me respondia, apenas sorria aquele risinho tão seu e eu me calava. Com você aprendi a amaciar minha alma, a ver sempre o lado positivo dos outros, a enxergar o sofrimento alheio, a não menosprezar as dores , a meu ver, banais de nosso semelhante, a perdoar e esquecer as ofensas. Sei, porém, que estou ainda aprendendo (Vou sentir falta dos textos que sempre me enviava e me deixavam cada vez melhor espiritualmente.). Para você, todo sentimento tinha importância. Nunca colocava mais um pau na fogueira, mas apagava o fogo (Com água? Não!) com o  amaciante de coração, de sentimento, de perdão e de tolerância. Quantas pessoas você ajudou? Dezenas, talvez, centenas. É com este ramalhete de amor ao próximo e de bons desejos que você chegou ao Paraíso.

Requiescat in pace.

Autora: Maria Auxiliadora de Andrade Vieira

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