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O Preço da Vida

          Você já se perguntou, algum dia, qual é o preço da vida?  Muitos responderão que não tem preço; outros, que é impossível essa avaliação. A resposta é simples: o preço de viver é a morte. Chocante? Agressiva? Tal resposta parece dramática, inconveniente, deselegante e imprópria (O melhor é não falar sobre isso). Entretanto, querendo você ou não, é a mais objetiva e verdadeira. Os homens são seres vivos; portanto, seguem um ciclo vital: nascer, crescer, reproduzir e morrer. As causas da morte podem ser as mais variadas possíveis, mas morrer é a promissória vencida que todos temos que pagar, após um período de carência da dívida (período de sobrevivência), enfrentado e pagando os juros (trabalho, sofrimentos, desgostos) e correção vital (doenças, dores, decrepitude).

          Sabemos que as células são as menores unidades vivas de um organismo. Dependem delas todas as funções e características de um ser vivo e a vida liga-se à autonomia e integridade celular. Responsáveis pelo metabolismo orgânico formam os sistemas e apresentam tempo de vida variável. No ser humano, umas vivem apenas alguns dias, e outras acompanham o indivíduo por toda a vida e podem ser classificadas em lábeis (curta duração), estáveis (duram meses ou anos) ou permanentes (duram toda a vida). Dividem-se e morrem de maneira ordenada; contudo, quando há alguma mudança no organismo, passam a se multiplicar de forma desordenada, perdem sua função ou a alteram, substituem as células normais e causam o câncer. Em qualquer livro didático, enciclopédia ou em sites da internet, encontramos essas explicações. Sabemos disso tudo. Por que então nos assustamos tanto com a morte?

          A morte é o incontrolável, a sentença maior que paira sobre nossas cabeças. Diariamente respondemos ao Juiz (Deus, destino, natureza), em audiências favoráveis e desfavoráveis a nós, como um resfriado aqui, uma vitória pessoal ali, um emprego acolá. Ganhamos e perdemos ações vitais. Vamos vivendo como se o tão temido veredicto final nunca chegará: a falência total das células, na forma das mais variadas doenças; enfim, o fim da vida. Enquanto vamos vivendo, aproveitamos tudo que o planeta, nossa família e o trabalho nos proporcionam. No itinerário pessoal, vamos acumulando sonhos, realizando projetos, desperdiçando oportunidades, fazendo escolhas e buscando o que nos garante felicidade. Enquanto isso, nossas células seguem seu caminho predeterminado: vão nascendo, reproduzindo-se, alterando-se, morrendo. E um belo dia... Surpresa! Surpresa? Ficamos doentes, muitas vezes, com um câncer. Acordamos para a vida realmente e colocamos nela seu valor.

          O preço da vida é viver. Ela se paga por si mesma. A cada dia vamos comprando mais experiências, mais amor ou desamor, mais liberdade ou prisão emocional, mais alegria ou tristeza. Nosso mapa vital vai se construindo devagar, segundo a segundo. Vamos encontrando pessoas e nos distanciando delas, garantimos amizades e nos desfazemos de umas e acrescentamos outras, crescemos intelectual e espiritualmente ou nos tornamos amargos e descrentes de todos e de tudo, sofremos e sorrimos, vivemos e damos vida. Que relação tem tudo isso com a surpresa de um câncer? Nenhuma e toda. Morrer é contingência da vida, um momento pessoal indivisível, não importando a causa por que se deixa de viver. Um diagnóstico de câncer é semelhante a qualquer um veredicto que define como sentença a pena capital (pena de morte), pois não é melhor ou pior que qualquer outro. É pura e simplesmente a maneira como se vai enfrentar o destino final. Entretanto, saber de um câncer, às vezes, é mais uma oportunidade de viver (e bem) tudo que sonhamos ter para alcançar a felicidade. É um momento único de encontro, amor, solidariedade, amizade, esperança e, na maioria das vezes, uma esticadinha providencial no viver (apoiada no diagnóstico precoce e no uso dos recursos que a medicina nos oferece hoje).

          Quanto vale a sua vida?

 

Autora: Maria Auxiliadora de Andrade Vieira

 Professora de Língua Portuguesa formada pela Universidade de Lavras - MG

 

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